sábado, 18 de fevereiro de 2017

Avatar-Tour - sleeping humanity


https://www.youtube.com/watch?v=m9pA35rd7B0


Avatar-tour é um court-film, como tentativa de um filme-ensaio cujo tema é referente às relações míticas que os sujeitos contemporâneos desenvolvem a partir das representações simbólicas de si mesmos e do mundo nas composições figurativas que o ambiente gráfico computacional da internet (ciberespaço) possibilita.

Originariamente o termo avatar (avatara) vem do sânscrito, língua considerada sagrada na cultura hindu, especificamente um vocábulo que designa a encarnação de uma divindade em forma material mundana, configurando contornos humanos ou de seres fantásticos como os dragões; antropologicamente, a historiografia do mito nas diversas culturas ao longo do tempo oferece um sem fim de exemplares de fabulosos seres divinos que no cumprimento de desígnios cósmicos transitam na superfície sensível do planeta promovendo auxílios ou sortilégios para a humanidade.

Tendo abandonado a vida comunitária tradicional dos agrupamentos de economia de subsistência e, posteriormente, quando da instauração do modus vivendis capitalista e, a consequente individuação fortalecida por crença nos pressupostos experimentais promovidos desde a ascensão ideológica do Iluminismo, o sujeito social do bloco-histórico geo-político que se nomeia por Ocidente, na condição factível de indivíduo cognoscente, tem seu isolamento cada vez mais intensificado por discursos e práticas que favorecem e exaltam uma pretensa autonomia no consumo de recursos naturais e produtos industriais, como prova irrefutável dos feitos técnicos da razão-instrumental e de um modo de vida racionalizado.

No presente instaurado, na grande narrativa do mundo contemporâneo, os sujeitos socioculturais têm sido cultivados para a aceitação de uma pretensa neutralidade dos avanços tecnológicos e da atuação política da torre de cartas da academia de ciências no bojo das ações que norteiam as vivências cotidianas. Destaca-se que na virada secular para o terceiro milênio do calendário gregoriano, eis que após um século de predomínio do cinema como o mágico caleidoscópio para a figuração simbólica do imaginário, o surgimento e o espraiamento da Internet no cotidiano das sociedades, vem fazer desaguar o imaginário nas mais diversas representações de ambientes gráficos computacionais, expondo inconscientes pulsões latentes da necessidade humana de sonhar e projetar para si e para toda a alteridade, simultaneamente, uma auto-imagem e uma imagem que atinge seu ápice na projeção dos perfis dos jogos eletrônicos em rede, e nos perfis da redes sociais; nas fabulações do mito recente, o avatar já não encarna mundanamente, se desmaterializa em bits informacionais, ao mesmo instante em que amplia o horizonte da humanidade para a figuração de processos arquetípicos coletivos e individuais.

Assim, em exercício de nova significação de figuras difundidas nos meios de comunicação de massa, na indústria do entretenimento e nas recentes redes telemáticas informacionais, Avatar-tour é uma sequenciada ilusão de frames que assume caráter meta-linguístico a respeito de um tempo e das personas no cenário da civilização e das culturas.

Sebáh Villas-Bôas é graduado em comunicação social (UESC), especialista em artes visuais (SENAC/MG) e mestre em cultura e sociedade (UFBA). Atua como professor do curso de Artes Visuais do Centro de Artes, Humanidades e Letras - CAHL / UFRB-BA, Cachoeira.